Feb. 2, 2026

Isabella Henriques: por que crianças e redes sociais não combinam. E mais: a IA pode ser cristã?

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A Austrália já proibiu menores de 16 anos nas redes sociais. A França vai na mesma direção. No Brasil, a lei do ECA Digital, em vigor desde o fim do ano passado, obriga plataformas digitais a garantir espaço seguro a crianças e adolescentes, o que pode restringir a presença desse público nas redes sociais. Em entrevista ao Deu Tilt, podcast do UOL para humanos por trás das máquinas, Isabella Henriques, diretora executiva do Instituto Alana, explica como mudou a percepção do mundo sobre as redes sociais após sociedade, família e organizações sociais lutarem durante anos para conscientizar governos e reguladores de que esses ambientes não são feitos para crianças. Há mais de duas décadas, o Alana atua no debate público para a construção de um ambiente digital mais saudável para crianças e adolescentes. “Como um produto, que é colocado no mercado e utilizado massivamente por crianças e adolescentes, não foi pensado, no seu planejamento e ao longo da sua vida útil, no impacto que ele terá para esse público”, conta ela. Para exemplificar como esses ambientes digitais reservam verdadeiras armadilhas para os baixinhos, ela detalha os riscos escondidos nessas plataformas, conhecidos como "quatro Cs": conduta, conteúdo, contrato e contato. Com a maior presença dos jovens nas redes sociais e a entrada deles cada vez mais cedo —alguns com bem menos que 6 anos—, esses fatores de risco se intensificam e viram danos graves à saúde física e mental dos mais novos. As plataformas até oferecem a pais e mães ferramentas de supervisão, mas elas não resolvem o problema estrutural, já que o design das plataformas segue priorizando retenção de atenção e lucro. E no Brasil há um fator complicador: a desigualdade socioeconômica. "Maiores vulnerabilidades na vida offline estão conectadas a maiores vulnerabilidades na vida online”, ressalta. Muitas famílias não conseguem  sequer acessar as ferramentas de controle parental. Num ambiente assim, diz a especialista, apenas a regulação é capaz de equilibrar a relação desigual entre crianças e empresas de tecnologia.