Ficção científica prevê o presente mais do que revela o futuro, diz mais expert do Brasil

A ficção científica sempre tentou imaginar o futuro, mas talvez ela seja mais certeira quando nos ajuda a entender o presente. Em entrevista ao Deu Tilt, o podcast do UOL para os humanos por trás das máquinas, o escritor, tradutor e professor universitário Fábio Fernandes parte de Metrópolis, clássico lançado em 1927, para discutir como o gênero vai muito além de antecipar avanços tecnológicos ou inventar sociedades alienígenas. O filme não previu smartphones nem inteligência artificial generativa, mas colocou no centro da narrativa a relação entre tecnologia, trabalho e poder. Ao longo da conversa, Fábio argumenta que a ficção científica não funciona como bola de cristal, mas amplia tendências do seu próprio tempo e as projeta em cenários extremos para revelar tensões sociais que já existem. O robô de Metrópolis, por exemplo, não é apenas uma máquina, mas um instrumento de manipulação e desmobilização. Esse debate ganha força quando a conversa chega à inteligência artificial. Durante décadas, o gênero associou a IA à ameaça e destruição. Mas, segundo Fábio, a produção mais recente já começa a explorar uma abordagem mais próxima da convivência. Longe de apenas entreter, as obras do gênero trazem à tona temas como poder, modelos de sociedade e formas de controle e, mesmo quando imagina mundos distantes, a ficção científica discute valores humanos como identidade, diferença, liberdade e solidariedade.







